Essa aconteceu depois de algumas horas de julgamento:
- Lísia, estou exausta, não consigo mais pensar!
- Calma, Ester, já julgaram 20 processos, só faltam 10.
Pausa.
- Ester?
- Hum?
- Quanto é 6X7?
Pausa. Nem eu sabia. Cansaço.
- 48, Lísia.
Pausa. Será mesmo? Tá estranho. Meu cérebro atrofiou!
- Isso aí é 6X8, Ester.
- Ah, é.
Outra pausa. Meu Deus, quanto é mesmo? Suspiro...
Lembramos juntas: 42!!!!
Égua, cansei.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Trabalho, muito trabalho...
O que é ser taquígrafa?
"Ah, é muito fácil! É só taquigrafar 5 minutos e depois tem um tempão para transcrever", dizem uns. "É moleza, há revezamento", dizem outros. "Serviço mecânico e repetitivo", diz o TSE.
O que é ser taquígrafa no Poder Judiciário?
"Mais fácil ainda, há convenções para tudo!", dizia minha professora Jean.
E o que é ser taquígrafa no Poder Judiciário Eleitoral?
"Serviço tranqüilo, só há Sessões para taquigrafar às terças e quintas", disseram quando passei no concurso... É, tá certo. Só esqueceram de avisar que existem as Eleições, e com elas muuuuuuuuuuito trabalho.
"Revezamento"? Brincou, né? Somos apenas 4!
"É só taquigrafar e transcrever"? Como taquigrafar uma Sessão inteira? 5 horas sem parar!!!! Nem comento a transcrição...
"Serviço mecânico"? Faz-me rir! E os Acórdãos publicados em Sessão? Essa é a melhor parte, é necessário utilizar os dois ouvidos e os dois hemisférios cerebrais que Deus me deu SEPARADAMENTE: o lado esquerdo sintetiza o julgamento do processo que acabou e passa para o português as decisões, quem votou contra, quem foi a favor, se houve Preliminar argüida ou não. Já o lado direito presta atenção no processo em andamento e taquigrafa tudo para, ao final deste, passar para o português. MUITO FÁCIL!!!!!!
É mais ou menos assim:
E ainda dizem que é moleza...
"Ah, é muito fácil! É só taquigrafar 5 minutos e depois tem um tempão para transcrever", dizem uns. "É moleza, há revezamento", dizem outros. "Serviço mecânico e repetitivo", diz o TSE.
O que é ser taquígrafa no Poder Judiciário?
"Mais fácil ainda, há convenções para tudo!", dizia minha professora Jean.
E o que é ser taquígrafa no Poder Judiciário Eleitoral?
"Serviço tranqüilo, só há Sessões para taquigrafar às terças e quintas", disseram quando passei no concurso... É, tá certo. Só esqueceram de avisar que existem as Eleições, e com elas muuuuuuuuuuito trabalho.
"Revezamento"? Brincou, né? Somos apenas 4!
"É só taquigrafar e transcrever"? Como taquigrafar uma Sessão inteira? 5 horas sem parar!!!! Nem comento a transcrição...
"Serviço mecânico"? Faz-me rir! E os Acórdãos publicados em Sessão? Essa é a melhor parte, é necessário utilizar os dois ouvidos e os dois hemisférios cerebrais que Deus me deu SEPARADAMENTE: o lado esquerdo sintetiza o julgamento do processo que acabou e passa para o português as decisões, quem votou contra, quem foi a favor, se houve Preliminar argüida ou não. Já o lado direito presta atenção no processo em andamento e taquigrafa tudo para, ao final deste, passar para o português. MUITO FÁCIL!!!!!!
É mais ou menos assim:
- Acabou o julgamento do feito nº 1. Imediatamente começa o julgamento do feito nº 2.
- Enquanto o relator lê o relatório, presto atenção para saber o assunto e o posicionamento do Ministério Público Eleitoral e ao mesmo tempo transcrevo as notas taquigráficas do feito nº 1.
- Pausa na transcrição para taquigrafar síntese do assunto e a posição do MPE.
- Começa a leitura do voto. Revezamento entre a composição da decisão do nº 1 e ouvir e taquigrafar as decisões do nº 2. Ora em português, ora em "taquigrafês". Hemisfério cerebral direito ouvindo o processo nº 2 e taquigrafando: houve preliminar? Qual? Qual decisão? Quem foi divergente? Por quê? Hemisfério cerebral esquerdo lendo os sinais taquigráficos do processo nº 1 e escrevendo em português: O relator foi vencido por que mesmo? Quem abriu a divergência? Por quê? O que é ad cautelam?
- Termina o processo nº 2. Inicia o nº 3. Lá vem o pessoal buscar a transcrição em português do processo nº 1. Começa tudo de novo...
- Acabou a Sessão!!!! Graças a Deus, já são 15h30! Corre para o banheiro, almoça por lá mesmo e então digita tudinho, ipsis literis et virgulorum.
E ainda dizem que é moleza...
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Vovô Geninho
Meu avô materno sempre foi um modelo para mim. Dentista, poeta, vereador, marido, pai e avô! Foi membro da Academia Niteroiense de Letras, e Presidente da Câmara de Vereadores de Niterói.
Perseguido e preso durante a Revolução de 64, foi demitido do cargo de dentista do Ministério da Marinha em 1964, e perdeu seus direitos políticos em 1966.
Faleceu em 2005 deixando muitas saudades...
Era o vovô brincalhão e carinhoso que mastigava de boca aberta imitando macaco para me fazer rir, contava piadas e roubava biscoitos da vovó para nos dar às escondidas.
Deixou alguns poemas publicados, mas muitos ainda estão guardados com a família, como um precioso tesouro.
Recentemente minha mãe resolveu digitá-los, e começou por essa pérola escrita para mim:
Também te amo, vovô. E também sinto saudades...
Perseguido e preso durante a Revolução de 64, foi demitido do cargo de dentista do Ministério da Marinha em 1964, e perdeu seus direitos políticos em 1966.
Faleceu em 2005 deixando muitas saudades...
Era o vovô brincalhão e carinhoso que mastigava de boca aberta imitando macaco para me fazer rir, contava piadas e roubava biscoitos da vovó para nos dar às escondidas.
Deixou alguns poemas publicados, mas muitos ainda estão guardados com a família, como um precioso tesouro.
Recentemente minha mãe resolveu digitá-los, e começou por essa pérola escrita para mim:
2º Natal de Lísia Regina -
- Poema –
Ah! se eu não me acostumasse,
a gostar tanto de você;
talvez hoje eu não andasse,
tão ansioso de lhe ver.
-.-
Porque você não me avisou,
que após férias iria embora?
Hoje eu não seria o que sou,
consolando quem lhe adora.
-.-
Você levou a meiguice
e o olhar alegre também...
Fiquei qual deuses sem lira,
compondo estas trovas, meu bem.
Remando em barco parado,
deixou o titio cansado,
molhando a cuca à vontade...
No aeroporto beijos... parte...
Solidão ensina a arte
de vivermos de saudade...
Niterói, 25.12.76.
Hermógenes Franco.
- Poema –
Ah! se eu não me acostumasse,
a gostar tanto de você;
talvez hoje eu não andasse,
tão ansioso de lhe ver.
-.-
Porque você não me avisou,
que após férias iria embora?
Hoje eu não seria o que sou,
consolando quem lhe adora.
-.-
Você levou a meiguice
e o olhar alegre também...
Fiquei qual deuses sem lira,
compondo estas trovas, meu bem.
Remando em barco parado,
deixou o titio cansado,
molhando a cuca à vontade...
No aeroporto beijos... parte...
Solidão ensina a arte
de vivermos de saudade...
Niterói, 25.12.76.
Hermógenes Franco.
Também te amo, vovô. E também sinto saudades...
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Maniçoba
Meu contato com a maniçoba aconteceu logo na minha primeira refeição em Belém, na viagem que eu e dois ex-alunos (Eric e Myltom, também aprovados) fizemos para realizar a prova objetiva do concurso. No restaurante havia uma grande panela de barro com uma gororoba preta-esverdeada cheia de pedaços de porco boiando. Nos entreolhamos sem entender o que seria aquilo. O garçom explicou que era maniçoba, uma “feijoada sem feijão”, feita com a folha da mandioca.Que coisa horrível! Prometi a mim mesma que nunca, por dinheiro algum, comeria aquilo. Não consigo descrever sem baixar o nível, ou fazer analogias nojentas. Para não magoar meus amigos paraenses, transcrevo um trecho da revista Nosso Pará (foi uma paraense que escreveu!): “As pessoas olham desconfiadas. Sejamos sinceros: por divinamente saborosa que seja - e é - a maniçoba, à primeira vista, mais parece excremento fresco do gado.” Blurgh! E o cheiro? Bem, o cheiro é muito bom, forte, que impregna o ambiente. Uma louca mistura de mato fresco com leves toques de toucinho defumado. Realmente cheira muito bem!
Na segunda viagem a Belém, já para as provas práticas de taquigrafia, eu e meus alunos nos deparamos novamente com a iguaria. Repetida a promessa de nunca comer aquilo
Deus-me-livre-e-guarde, reparei que Eric havia pego um pouquinho para experimentar. Corajoso, ele! O repreendi, afinal tínhamos acabado de fazer uma prova a 110 ppm (palavras por minuto), e no dia seguinte teríamos outra a 115 ppm! Imagine fazer uma prova dessas com dor de barriga! Seria muita tolice! Mas ele insistiu dizendo que era só um pouquinho. Tolice... Quando ele provou, sorriu e disse que era bom. E comeu com gosto. Fiquei na corda-bamba, a vontade de experimentar comidas novas lutava contra o bom-senso, o receio de passar mal e a aparência nada convidativa da comida.Não resisti. Peguei uma micro porção do prato do Eric e comi receosa. “Lá vai a Lísia comer coisas esquisitas em véspera de prova”, pensei. Provei. Égua! Que sabor diferente, selvagem, exótico! DELÍCIA! Deixei de lado qualquer lembrança de prova no dia seguinte (bem como o frango grelhado que estava comendo) e fiz um prato enorme de maniçoba com arroz! Indescritível a sensação. É um gosto encorpado, forte, que leva à compulsão... só consigo parar de comer porque não aguento mais, ou porque acabou! A carne fica muito macia, igual manteiga, e derrete na boca. A maniva tem gosto de floresta, de mato fresco, de terra molhada, de Amazônia... pronto, já salivei! MUITO BOM!
Mana, comer maniçoba pela primeira vez é uma experiência única, pois é o único sabor que conheço que não me remeteu a nenhum outro já experimentado. Não tenho lembrança de nada parecido! Só provando para saber. É impossível ver maniçoba sem comer! Eras, o cheiro me aperta o estômago, dá fome.
Esse sim é pai-d’egua!
De tudo que já provei aqui, é de longe, meu prato preferido!
Vamos às curiosidades:
- A folha de mandioca (macaxeira) utilizada se chama maniva . A folha, sem os talos, é moída miudinha (foto ao lado), e cozida com água e toucinho cru por 7 dias sem pausas, até que o verde enegreça, amacie e encorpe. Se for maniva de mandioca-brava (que em Brasília chamamos de mandioca amarela), ferve por 15 dias, pois é mais amarga.
- A maniva possui um ácido extremamente tóxico (cianídrico), que só com o cozimento é liberado. A folha mal cozida pode levar à morte. Pergunto novamente: quantos índios morreram até descobrirem isso? Pelo menos 7, um a cada dia, até sobreviver o último – penso eu!
- No sexto dia a maniçoba é temperada. Entram na panela o bucho, o bacon, a calabresa, o chouriço, a carne de porco, a costela e, é claro, a pimenta de cheiro, o alho amassado e a cebola. Ingredientes semelhantes aos da feijoada.
Fontes:
Wikipédia
www.revistanossopara.com.br
www.portalamazonia.locaweb.com.br
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Pato no tucupi
Cheguei em Belém louca para experimentar a comida típica. Sabia que existia um prato chamado "pato no tucupí" (acento meu), mas não fazia a menor idéia do que seria. Não sabia se era uma folha, uma tigela, uma fruta ou um molho... Ah! Mas eu aprendi a lenda do tucupi (aqui em Belém tem lenda para tudo):
Diz a lenda que Jacy (Lua) e Iassytatassú (Estrela D'alva) combinaram visitar o centro da Terra, e quando foram atravessar o abismo, a serpente Caninana Tyiiba mordeu a face de Jacy. Jacy ficou marcado para sempre pelas mordidas, e derramou suas lágrimas sobre uma plantação de mandioca. A partir das lágrimas de Jacy, surgiu o tycupy (tucupi).
Bacana! Seria o tucupi em forma de gotas?
Resolvi experimentar. Descobri um restaurante que tinha, e fui correndo ver do que se tratava. Era um pato em um molho amarelo, cheio de uma folha cozida por cima. Pronto, descobri! Tucupi era um molho com cor de mostarda!! Entrei na fila (era self-service) com um misto de ansiedade e curiosidade, apertando o prato nas mãos. Finalmente iria experimentar. Sentia um cheiro diferente no ar, um cheiro ácido, forte, gostoso. Opa, minha vez de servir! Parecia uma criança escolhendo cuidadosamente os pedaços. Peguei um tanto daquela folha, um outro tanto de arroz branco, e entupi o prato com o caldo amarelo, como vi as pessoas fazendo. Expectativa. O cheiro estranho cada vez mais forte, a boca salivando. Ao pegar os talheres, descobri uma colher acompanhando o tradicional garfo e faca. Peguei também, sem entender direito.
Sentei. Fiz cara de quem comia isso desde pequenina, não era novidade, afinal, quem nunca comeu tucupi na vida? Quando coloquei o tucupi pela primeira vez na boca, a sensação foi indescritível... É MUITO BOM!!!! Como descrever um sabor? Não conheço palavras suficientes para isso! É um gosto forte, ácido, levemente azedo, que preenche a boca, o nariz. Aquele cheiro forte, bom e amarelo era dele, o tucupi. Fechei os olhos de prazer.
Acho que fiz cara de gringa, ou estava meio sem jeito com 3 talheres, pois um senhor da mesa ao lado disse para eu encher a boca daquela folha, porque ela adormecia os lábios. Mas quando??? (= Sério?) OK, vamos lá! Eras (= puxa!), é muito interessante! Os lábios e a língua adormecem!!! Tenho que lembrar de comer uns maços antes de ir ao dentista... a folha se chama jambú, e é companheira inseparável do tucupi.
Bom, e a colher? Para comer o caldo com arroz, oras! Óbvio! Depois de comer o pato, o tucupi parece uma sopa com arroz! MUITO BOM!
Fui obrigada a repetir. Confesso que só não comi mais porque fiquei com vergonha. Sabe o que é mais interessante? Depois que se come tucupi, fica a recordação do gosto. É sério! Fiquei lembrando do gosto um tempão! É... fica mesmo... vou terminar esse texto logo e tomar uma bela cuia de tacacá (depois explico, também é com tucupi), estou salivando só de lembrar!
Antes de sair, vamos à nossa boa Wikipédia:
O Tucupi é um molho de cor amarela extraído da raiz da mandioca brava, que é descascada, ralada e espremida, tradicionalmente usando-se um tipiti (espécie de prensa de palha trançada). Depois de extraído, o molho "descansa" para que o amido (goma) se separe do líquido (tucupi). O líquido é cozido por horas para eliminar o veneno, já que o tucupi é venenoso, pois contém ácido cianídrico (quantos índios morreram até descobrirem isso?), podendo, então, ser usado como molho.
Jambú, também conhecida como agrião-do-pará, é uma erva típica da região norte do Brasil, mais precisamente do Pará. Uma de suas principais características é a capacidade de trimilicar (gostei do verbo!) os lábios de seus comensais. A planta é reconhecida como anestésica, diurética, digestiva, sialagoga (que é isso?), antiasmática e anti-escorbútica. Os seus capítulos (tipo de inflorescência) possuem propriedades odontálgicas e anti-escorbúticas.
Traduzindo: MUITO BOM!
Recomendo. Quem não quiser vir até aqui, tem na Feira da Torre, em Brasília.
Diz a lenda que Jacy (Lua) e Iassytatassú (Estrela D'alva) combinaram visitar o centro da Terra, e quando foram atravessar o abismo, a serpente Caninana Tyiiba mordeu a face de Jacy. Jacy ficou marcado para sempre pelas mordidas, e derramou suas lágrimas sobre uma plantação de mandioca. A partir das lágrimas de Jacy, surgiu o tycupy (tucupi).Bacana! Seria o tucupi em forma de gotas?
Resolvi experimentar. Descobri um restaurante que tinha, e fui correndo ver do que se tratava. Era um pato em um molho amarelo, cheio de uma folha cozida por cima. Pronto, descobri! Tucupi era um molho com cor de mostarda!! Entrei na fila (era self-service) com um misto de ansiedade e curiosidade, apertando o prato nas mãos. Finalmente iria experimentar. Sentia um cheiro diferente no ar, um cheiro ácido, forte, gostoso. Opa, minha vez de servir! Parecia uma criança escolhendo cuidadosamente os pedaços. Peguei um tanto daquela folha, um outro tanto de arroz branco, e entupi o prato com o caldo amarelo, como vi as pessoas fazendo. Expectativa. O cheiro estranho cada vez mais forte, a boca salivando. Ao pegar os talheres, descobri uma colher acompanhando o tradicional garfo e faca. Peguei também, sem entender direito.
Sentei. Fiz cara de quem comia isso desde pequenina, não era novidade, afinal, quem nunca comeu tucupi na vida? Quando coloquei o tucupi pela primeira vez na boca, a sensação foi indescritível... É MUITO BOM!!!! Como descrever um sabor? Não conheço palavras suficientes para isso! É um gosto forte, ácido, levemente azedo, que preenche a boca, o nariz. Aquele cheiro forte, bom e amarelo era dele, o tucupi. Fechei os olhos de prazer.
Acho que fiz cara de gringa, ou estava meio sem jeito com 3 talheres, pois um senhor da mesa ao lado disse para eu encher a boca daquela folha, porque ela adormecia os lábios. Mas quando??? (= Sério?) OK, vamos lá! Eras (= puxa!), é muito interessante! Os lábios e a língua adormecem!!! Tenho que lembrar de comer uns maços antes de ir ao dentista... a folha se chama jambú, e é companheira inseparável do tucupi.
Bom, e a colher? Para comer o caldo com arroz, oras! Óbvio! Depois de comer o pato, o tucupi parece uma sopa com arroz! MUITO BOM!
Fui obrigada a repetir. Confesso que só não comi mais porque fiquei com vergonha. Sabe o que é mais interessante? Depois que se come tucupi, fica a recordação do gosto. É sério! Fiquei lembrando do gosto um tempão! É... fica mesmo... vou terminar esse texto logo e tomar uma bela cuia de tacacá (depois explico, também é com tucupi), estou salivando só de lembrar!
Antes de sair, vamos à nossa boa Wikipédia:
O Tucupi é um molho de cor amarela extraído da raiz da mandioca brava, que é descascada, ralada e espremida, tradicionalmente usando-se um tipiti (espécie de prensa de palha trançada). Depois de extraído, o molho "descansa" para que o amido (goma) se separe do líquido (tucupi). O líquido é cozido por horas para eliminar o veneno, já que o tucupi é venenoso, pois contém ácido cianídrico (quantos índios morreram até descobrirem isso?), podendo, então, ser usado como molho.
Jambú, também conhecida como agrião-do-pará, é uma erva típica da região norte do Brasil, mais precisamente do Pará. Uma de suas principais características é a capacidade de trimilicar (gostei do verbo!) os lábios de seus comensais. A planta é reconhecida como anestésica, diurética, digestiva, sialagoga (que é isso?), antiasmática e anti-escorbútica. Os seus capítulos (tipo de inflorescência) possuem propriedades odontálgicas e anti-escorbúticas.Traduzindo: MUITO BOM!
Recomendo. Quem não quiser vir até aqui, tem na Feira da Torre, em Brasília.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Chuva

Quando criança, eu ouvia uma "lenda" de uma cidade onde chovia todos os dias no mesmo horário, e as pessoas marcavam encontros para antes ou depois da chuva. Achei tão fantasioso que nunca esqueci isso. Que estranho, saber exatamente quando vai chover... e o pior: chuva todos os dias! Para quem só conhece chuva de outubro a maio, e vive no deserto nos outros meses, é realmente fantasioso.
Mas cheguei tarde... com o aquecimento global, as chuvas das 15 horas não são mais tão pontuais. Às vezes chove só no fim da tarde, ou lá pelas 13 horas. Mas sempre chove. Sempre. Sempre mesmo! No início achei o máximo! Apostava comigo mesma se a chuva cairia às 15 horas, olhava pela janela antes de sair, planejava meus passeios para antes ou depois da chuva. Bacana! Em uma semana choveu sempre às 17h, na outra, às 14h. Muito bacana! Mas depois de ter minhas roupas mofadas, meus sapatos mofados, meu travesseiro mofado e até minha mala mofada, comecei a achar essa tal de chuva diária não tão divertida assim.
E a história de que a chuva só estraga o penteado? Ledo engano. Eu nunca tinha experimentado uma chuva de floresta. É muita água, em poucos minutos cai tanta água que assusta! Não, não dá para imaginar, só quem passa por isso entende. A densidade da chuva é alta! (Densidade pluviométrica?) As gotas ficam tão perto uma das outras que dá para cortar uma fatia da chuva com faca. Égua, mana! Vocês não estão entendendo!
Uma vez, voltando do trabalho, resolvi não fugir da chuva. Munida de coragem, abri minha sombrinha com um gesto audacioso, olhei para os pobres mortais que se abrigavam sob as marquises com um certo desdém e fui. Só eu andando pelas ruas. Que delícia! Que água forte vinha em minha direção desafiando minha pobre e frágil sombrinha! Bem pobre e bem frágil sombrinha... era tanta água, mas tanta água, que em poucos segundos entendi porque os "pobres mortais" procuravam abrigo. Caía água pelas minhas costas, braços, pernas. Molhei até a barriga! Meu pé escorregava dentro da sandália, a água escorria ao longo da coluna... Socorro, Iemanjá! Abracei minha bolsa com proteção maternal e rezei para Iara, a protetora das águas, poupar minha sombrinha; a tão destemida guerreira perdia a luta contra a natureza! E eu comecei a rir. Sinceramente, se não estivesse carregando minha bolsa, teria fechado a sombrinha e brincado como uma criança... não ia fazer muita diferença mesmo, as únicas partes do meu corpo que não ficaram absolutamente ensopadas foram minha cabeça e meu peito! Parecia que eu tinha entrado em uma piscina de roupa e tudo... eras*, nunca mais!
Em Belém, como os belenenses.
* "Eras" é uma gíria local. É um pouco mais suave e elegante do que "Égua!", e possui o mesmo significado: "Eita!" (Não se esqueça de puxar o S como os cariocas).
Mas cheguei tarde... com o aquecimento global, as chuvas das 15 horas não são mais tão pontuais. Às vezes chove só no fim da tarde, ou lá pelas 13 horas. Mas sempre chove. Sempre. Sempre mesmo! No início achei o máximo! Apostava comigo mesma se a chuva cairia às 15 horas, olhava pela janela antes de sair, planejava meus passeios para antes ou depois da chuva. Bacana! Em uma semana choveu sempre às 17h, na outra, às 14h. Muito bacana! Mas depois de ter minhas roupas mofadas, meus sapatos mofados, meu travesseiro mofado e até minha mala mofada, comecei a achar essa tal de chuva diária não tão divertida assim.
E a história de que a chuva só estraga o penteado? Ledo engano. Eu nunca tinha experimentado uma chuva de floresta. É muita água, em poucos minutos cai tanta água que assusta! Não, não dá para imaginar, só quem passa por isso entende. A densidade da chuva é alta! (Densidade pluviométrica?) As gotas ficam tão perto uma das outras que dá para cortar uma fatia da chuva com faca. Égua, mana! Vocês não estão entendendo!
Uma vez, voltando do trabalho, resolvi não fugir da chuva. Munida de coragem, abri minha sombrinha com um gesto audacioso, olhei para os pobres mortais que se abrigavam sob as marquises com um certo desdém e fui. Só eu andando pelas ruas. Que delícia! Que água forte vinha em minha direção desafiando minha pobre e frágil sombrinha! Bem pobre e bem frágil sombrinha... era tanta água, mas tanta água, que em poucos segundos entendi porque os "pobres mortais" procuravam abrigo. Caía água pelas minhas costas, braços, pernas. Molhei até a barriga! Meu pé escorregava dentro da sandália, a água escorria ao longo da coluna... Socorro, Iemanjá! Abracei minha bolsa com proteção maternal e rezei para Iara, a protetora das águas, poupar minha sombrinha; a tão destemida guerreira perdia a luta contra a natureza! E eu comecei a rir. Sinceramente, se não estivesse carregando minha bolsa, teria fechado a sombrinha e brincado como uma criança... não ia fazer muita diferença mesmo, as únicas partes do meu corpo que não ficaram absolutamente ensopadas foram minha cabeça e meu peito! Parecia que eu tinha entrado em uma piscina de roupa e tudo... eras*, nunca mais!
Em Belém, como os belenenses.
* "Eras" é uma gíria local. É um pouco mais suave e elegante do que "Égua!", e possui o mesmo significado: "Eita!" (Não se esqueça de puxar o S como os cariocas).
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Cidade de Belém

Acho melhor fazer uma apresentação formal desta cidade. Retirei essas informações da Wikipédia:
Belém é a segunda cidade mais populosa da Região Norte e a maior região metropolitana da Amazônia. Possui 1,4 milhões de habitantes no município e 2.043.537 na Grande Belém. É conhecida como a "Metrópole da Amazônia" e popularmente chamada de "Cidade das Mangueiras" pela abundância de exemplares dessa árvore em suas ruas, sua contínua mancha urbana é constituída por cinco municípios. Também é denominada "Cidade Morena", característica herdada da miscigenação do povo português com os índios Tupinambás, nativos habitantes da região à época da fundação.
Em seus quase quatrocentos anos de história, Belém vivenciou momentos de plenitude como o período áureo da borracha, no início do século XX quando o município recebeu inúmeras famílias européias, o que veio a influenciar grandemente a arquitetura de suas edificações, ficando conhecida como Paris n'América. Hoje, apesar de ser cosmopolita e moderna em vários aspectos, Belém não perdeu o ar tradicional das fachadas dos casarões, das igrejas e capelas do Período Colonial.
Curiosidades de Belém:
Belém é a segunda cidade mais populosa da Região Norte e a maior região metropolitana da Amazônia. Possui 1,4 milhões de habitantes no município e 2.043.537 na Grande Belém. É conhecida como a "Metrópole da Amazônia" e popularmente chamada de "Cidade das Mangueiras" pela abundância de exemplares dessa árvore em suas ruas, sua contínua mancha urbana é constituída por cinco municípios. Também é denominada "Cidade Morena", característica herdada da miscigenação do povo português com os índios Tupinambás, nativos habitantes da região à época da fundação.
Em seus quase quatrocentos anos de história, Belém vivenciou momentos de plenitude como o período áureo da borracha, no início do século XX quando o município recebeu inúmeras famílias européias, o que veio a influenciar grandemente a arquitetura de suas edificações, ficando conhecida como Paris n'América. Hoje, apesar de ser cosmopolita e moderna em vários aspectos, Belém não perdeu o ar tradicional das fachadas dos casarões, das igrejas e capelas do Período Colonial.
Curiosidades de Belém:
- Belém foi a 1ª capital do Brasil a fornecer energia elétrica à sua população.
- Belém foi a primeira capital da Amazônia.
- Belém é considerada a maior cidade na linha do Equador.
- Belém é o principal portão de entrada para a Amazônia.
- Belém está entre as 10 cidades mais movimentadas e atraentes do Brasil.
- A UFPA é a melhor Universidade Pública da região Norte de 2005 a 2007.
- Unama é a melhor universidade privada da região norte, 2007.
- O CENTUR é o maior centro de debates e manifestações culturais do norte do Brasil.
- O Ver-o-Peso é a maior feira livre da América Latina, é também o símbolo de Belém e sua maior atração turística.
- Belém é a capital de um estado assentado sobre a maior jazida de ferro do mundo.
- Belém tem o 5º metro quadrado mais caro do país.
- A cidade consome 180 toneladas de açaí por dia.
- Belém é 3º lugar no norte/nordeste nos gastos com roupas, calçados, eletrodomésticos, livros, revistas, remédios e outros itens.
- O Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia é atualmente um dos maiores do Brasil e o maior da Amazônia.
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